Voluntários

Nos meus incessantes devaneios eu cunho as minhas visões de mundo. Ora obtusas, ora coerentes, ora idiossincrasias. Assim, normal, como qualquer indivíduo vivo, que acredita nas próprias convicções e pratica ciência na vida, na medida que atesta que o imaginário e o real se encontram, que as ideias encontram afirmação nas realizações e isso vira história.

Em linguagem forense, pra tudo na vida o valor se ganha na constituição de jurisprudência.

Trocando em miúdos, as ideias são boas, mas só são ótimas quando se materializam os seus benefícios.

Talvez eu ser um fracasso esteja diretamente relacionado a minha ideia apaixonada de ver beleza no remar contra a maré. Andar na contramão com peito arfado, cheio de si. Sentir-se um incompreendido, um coitado, abona o fracasso. Então lá venho eu com as meias verdades:

A INTERNET ESTÁ AFASTANDO AS PESSOAS

Sério. Tri acho.

Cria-se a falsa impressão de aproximação. O cara se satisfaz com a ideia cínica de que está tudo ali, tão presente e tão perto, e isso provoca o relaxamento de não buscar a aproximação real.

Aquele cozinheiro que passa o dia sentindo os cheiros da própria comida e diz que fica sem apetite. Prefere a comida dos outros. Prefere um petisco. Beliscou ao longo da preparação.

Tenho zilhões de “amigos” no facebook. Mas com quantos deles eu bato um papo olhando no olho? Com quantos deles eu janto ou almoço? Com quantos deles escuto uns discos, falamos dos filhos?

Eu curto todos os posts das bandas legais da cidade, mas não vou aos shows de quase nenhuma. Mas aceito a falsa ilusão de que minha parte em ajudar a cena estou fazendo. A internet me causa a falsa impressão de missão cumprida e de novo me satisfaço na minha preguiça, de olho no mundo que toco apenas com meu polegar opositor. 

As nossas relações estão ficando obsoletas e por isso a música é temporal. Por isso não se ouve um disco inteiro, mas parcas músicas isoladamente. 

Dito tudo isso, e me agarro nas minhas meias verdades pra tranquilizar meus fracassos.

A Voluttà vai começar um processo de andar para trás. No mundo da valorização do intangível queremos que vocês nos toquem.

Toquem na nossa música.

Toquem nas nossas ideias.

Toquem nas nossas composições.

Toquem nas nossas paixões e sejam tocados por elas. 

Vamos estudar uma maneira de criar um fan clube. Com atitudes reais. Com ações reais. Pra um mundo real. É sabido que não deveremos conquistar o mundo. Mas queremos uns 10 ou 20 fans de verdade. E queremos trata-los como tal.

Vamos ter um formulário/banco de dados das pessoas interessadas em receber informações e coisas sobre nós.

Estas pessoas vão receber cartas pelo correio, escritas a mão.

Avisos. Amostras de café. Disco físico. Fotos pra colocar na geladeira. Camisetas. Adesivos. Vinis. DVD´s com vídeos. Um livro físico com estes textos daqui.

As pessoas que estiverem dispostas a nos dar a mão terão a nossa mão e todos os nossos sonhos. Ainda pensando muito em lançar materiais apenas fisicamente, mas isso seria um segundo passo. 

Uma vez alcançado este nível de tangibilidade esperado, para o lançamento da O dia da caça faremos uma agenda de shows regionalmente, a fim de levar a todos os nossos amigos de verdade a nossa música e a nossa fé! 

Vamos começar por aqui, pelo intangível que é a regra vigente, mas o plano é passar pro outro lado. O teu lado!