Regras do rock

O Lauro me incumbiu de escrever novamente. Não contente, satisfeito ou sabe-se lá o que mais, decretou que esta quinta, e na outra e na outra eu deveria produzir os textos pra cá. Sempre assim, sempre no bate e pronto.
Devo ter resmungado algo mentalmente, mas verbalmente me abstive. Ando muito desengonçada ultimamente e já perdi a conta das gafes cometidas nos últimos dias. Mas delas, não me arrependerei. Virarão histórias engraçadas regadas a um bom vinho em alguma janta mais ali na frente.
Acho bem tri legal escrever. Eu fico de peito estufado por causa dos meus números, mas a verdade é que eu só sei fazer conta com letra.
Nas letras eu me divirto. E toda vez em que o patrão solicita o meu serviço, não vou negar que eu fico lisonjeada. (E grilada também porque eu ainda não parei pra estudar sobre as novas regras do nossa língua). Que se dane! Vou me despir aqui na ignorância do meu próprio idioma, pra testar o meu próprio preconceito (mim é chata com os menas e guspes da vida).
O que me salva é que esse é um Blog de música, cujo tema central é a liberdade que essas ondinhas mecânicas proporcionam, logo, se eu errar, é liberdade poética garantida à minha ignorância. (Vai crase antes de pronome possessivo? Viu? Dane-se, o rock veio pra quebrar todas essas regras…)
Diante de todo esse rodeio, pra fazer piada e cumprir com a introdução, digo-lhes:
O Dia da Caça tem sido f*da pra mim.
Rendeu algumas discussões domésticas -, que astutamente vamos reservar para outra quinta tá? – rendeu lágrimas, sorrisos, mas principalmente insegurança.
Nesses versos eu descobri o quão falso rei de mim eu sou, no masculino mesmo. O quanto a gente fica vulnerável em terreno desconhecido. Aí tu vai dizer, “Carina, isso é óbvio”. Eu sei, mas prestes a completar os meus 33, eu ainda me surpreendo com o óbvio.
Aqui em casa a gente vive um momento delicado e quando tudo passar, naquela mesma janta com risadas e vinhos sobre as gafes mais ali na frente, a versão final dessa história vai tocar e nos trazer de volta pra esse momento com aquele gostinho estranho de saudade. Pra resumir um pouco:
06/07/2017- Guitarras extras, discussões sem pé nem cabeça, anseios, expectativas, tentativas, torcida, medo, falsetes, cólicas, dá pra mudar essa intenção aqui?, eu quero mais guts, estamos trabalhando há tanto tempo e ainda não acabou, não aguento mais escutar esse negócio, esse é o melhor time do Grêmio, orquestrado é lindo, caiu a casa, somos vegetarianos, em SC não pode ter mini porco, foi golpe, tudo já foi dito nos primeiros suspiros, tava tudo escrito, desconstruído…