Diferentão

Às vésperas de completar dois anos de blog da Voluttà no ar eu percebo que esse diário de bordo ganhou vida própria. Assim como dito há um ano, sabíamos dos riscos de ganhar e perder pessoas interessadas em saber mais sobre a constituição da banda mais desconhecida do Sul do mundo e a formação dos seus integrantes, novos e velhos, com suas histórias cruzando o caminho da Voluttà.

A Voluttà segue calmamente o caminho de quem sabe que os dias futuros reservam surpresas boas. A música O dia da Caça deve se encontrar com um dos seus momentos mais marcantes.

Compus esta música após um brainstorming com um grupo de amigos, via blog, onde desenhamos as ideias que integrariam a letra.

Fui por aquele caminho de depositar os acordes que em cima da melodia que a ditadura natural do texto me empregaria.

Com um texto tão grande e com tantas intenções diferentes foi-se formando uma música pouco convencional. Em dezembro de 2015 eu já tinha um primeiro bom esboço dela. Gravei ao violão toscamente e plantei aqui no Blog mesmo, num texto lá de dezembro.

Os meses passaram e outras músicas vieram.

Veio também no início de 2016 o clipe de Black Star do Bowie, com 10 minutos, sinalizando que poderíamos fazer uma música na contramão da fórmula radiofônica de músicas com não mais de quatro minutos, desde que ela não se torne chata para o ouvinte.

Muitas outras questões me assaltaram neste período.

O porquê de das pessoas terem desistido de ouvir discos e terem se acostumado a ouvir músicas isoladamente.

O porquê de esse caminho ter tornado irrelevante a concepção do artista quando pensando no disco de forma integral.

Porque um disco temático ser praticamente inviável comercialmente nos dias de hoje?

Concluí que as pessoas foram educadas para atingirem o orgasmo rapidamente.

Mundo muito dinâmico, depressa demais.

Industrializamos a música. Embalamos a vácuo. Vendemos a preços baixos demais.

Havia uma fórmula de fazer músicas com pouco mais de três minutos, tendo o primeiro refrão no primeiro minuto, o segundo refrão no segundo minuto, uma pontezinha diferentona entre o segundo e o terceiro minuto e depois o terceiro refrão repetidamente.

Quantos sucessos conhecemos nos últimos anos neste formato?

Talvez nem sempre tenha sido consciente, mas as bandas adotaram esse formato por força das ondas.  

Atualmente as músicas são feitas com uma nova ordem. Ainda mais precoce no atingimento do clímax. Há parcos versos diferentes dos refrões ao longo da música, o resto, é refrão. Pois refrão é o fio de ouro, o crème de la crème, refrão é o que há!!!

No primeiro disco, no Flores pra você fizemos algumas tentativas de desconstrução desse modelo vigente e compusemos alguns sons com refrões que desobedeciam essa estrutura. Uma rebeldia só.

Eis que estamos agora levando a música O dia da Caça pra encontrar a voz da Carina.

Como os vocais foram originalmente compostos por mim, não havia identidade da Carina empregada na música. Ela se viu pouco inserida nesta construção e sinalizou. E aqui que a coisa fica interessante: ela tem trabalhado em compor coisas que reservem o lugar dela no DNA da música O Dia da Caça.

E na desconstrução, buscando ouvidos interessados na história toda, estamos finalizando uma canção que não reza o terço. É tema livre, e esperamos que liberte.

Ouça discos integralmente!