América

Sobre a distância:

Os últimos meses têm sido muito cansativos, por isso a distância da regularidade de escrever. Muitos acontecimentos, muitas mudanças.

Houve muitos insights sobre textos para o blog neste período, mas também houve uma infinidade de dúvidas sobre não usar textos sem conexão com a Voluttà, que é o que realmente nos interessa aqui não é?

Pois então, às vezes penso que sim, e às vezes penso que um livro que vá contar a caminhada da Voluttà e a produção dos seus discos, músicas, deva constar as peripécias daquele que compõe as letras das músicas. Afinal, de um jeito ou outro, isso vai aparecer nas músicas, mesmo que subliminarmente.

Mas em resumo, a distância se deu, por um momento difícil, de cabeça cheia e páginas vazias.

Fica meu pedido de desculpas, pra quem se interessa por este blog, e espera pelas linhas de quinta-feira e encontram um vazio.

Sobre a música:

Estamos muito bem encaminhados com uma extraordinária canção. Um encontro feliz entre a mensagem e o instrumental bem executado. Uma canção com quase 10 minutos e com uma necessidade de completude em casamento com um vídeo orgânico. Uma canção pra ser lançada com boa arte, com volume de informações. Uma canção pra ser lançada com mini documentário e em mídia não descartável. Uma canção pra sentarmos juntos e ouvir como se fosse nova daqui uns 10 anos. Tudo orgânico. Tudo vivo. Tudo robusto.

Ainda faltam as cordas, as teclas e a mixagem pra termos a música fechada.

Muito distante daquilo que pensávamos como prazo pra lançar, devemos fazê-lo em 2017, mas sabe-se lá, se novembro, ou dezembro.

Ela demora, mas há de se justificar a espera.

Sobre o disco:

Toda vez que penso no disco, penso na forma como todas essas músicas devem se interligar, ora pela temática, ora pelos climas. Reforço meu pensamento de que esse disco nasceu de um conceito e acredito nele cada vez que tenho a oportunidade de discutir sobre com o Parffit. Quando sentamos juntos pra fazer um som e ele arregaça as mangas e toma o piano, eu  ali de soslaio despejando umas frases, uns acordes e uns falsetes.

Como estamos os dois nessa empreitada, ganhamos a liberdade de produzir coisas, exercitar coisas no tempo que nos é disponível.

Devemos gravar em breve um vídeo bem produzido, com boa qualidade de som, boa qualidade de imagem, para uma das músicas que integrará o disco, chamada TAXIDERMIA. A Carina diz que é uma das melhores do disco. Eu não discordo. Faremos uma TAXIDERMIA enxuta e cheia de lirismo pra apresentar por aqui em breve, no máximo até novembro.

Sobre o abandono:

O Thomé optou por nos deixar. Gravou conosco o primeiro disco lindamente, daquele jeito dele, chega lá, pluga, conecta-se com a melhor fração dele e descarrega suas frases e solos. Fez isso também, com a música O Dia da Caça, gravou praticamente todas as guitarras e participou da nossa pré-produção. Mas nós sabemos o quanto é difícil conduzir um projeto desses a uma distancia de mais de 600 km, onde existe um emprego grande de tempo, energia e dinheiro. O Thomé nos deixa, mas ainda será possível ouvir as contribuições nele neste próximo disco, além, de nas minha influencia, porque é um amigo de quem eu vou sentir falta de ter por perto tocando guitarra, mas entendo perfeitamente os seus motivos.

Boa sorte na vida meu amigo! Segue tocando e segue brilhando.

Sobre a mudança:

No final de Julho mudamos de casa. Deixamos o casarão de Pirabeiraba, da paisagem bucólica, do silêncio angelical e inspirador. Parece bobagem, mas pra mim, os lugares imprimem as suas necessidades musicais. Naquele casarão, praticamente todas as músicas do próximo disco foram recebidas. Alguns discos rodaram por aquelas paredes. Alguns livros foram engolidos naquela rede. Mas tudo muda o tempo todo. Voltamos a morar no bairro América. Gosto do América por conta da grafia, e do anagrama em que forma IRACEMA.

Sobre o João:

Esperei neste período pelo João. João não veio. Eu teria uma música para o João. E um disco de acompanhamento. Às vezes esperar é que é sabedoria.

Sobre hoje:

Em 14 de setembro eu sempre lembro daquela noite lá em 1994. O Brasil tinha ganhado o mundo, eu perdia a América, e levaria muito tempo pra me encontrar no mundo.

Se tu chegaste ao nosso blog hoje, certamente estes textos todos não devem te fazer muito sentido.

É como assistir o capitulo 5 da quinta temporada de Game Of Thrones. O cara vê anões, dragões, Deus do Fogo, zumbis, Gigantes, nômades, bruxas, ressureições, e certamente não entende nada da trama. É preciso olhar pra trás pra compreender.

Então, não perca o gosto pela leitura. Te aventura. Daqui pra esquerda tudo vai fazer sentido. Eu, particularmente, gosto muito da esquerda.